segunda-feira, 20 de julho de 2015

Complexo de Gabriela

Apesar de vermos a natureza, o tempo e o espaço em constante mudança, a nossa tendência é mesmo conservadora. A sociedade e a cultura tendem a se conservarem, mas permitem que variações e avanços aqui e ali sejam constituídos em novas práticas, outros parâmetros, modelos que vão sendo testados e admitidos quando apresentam bons resultados.
Todavia, algumas pessoas apresentam uma resistência tão feroz às mudanças que chegam a irritar aqueles que as aceitam mais facilmente. Um medo angustiante se instala diante das novidades, que elas se agarram com unhas e dentes ao passado, ao fora de moda, ao obsoleto, e permanecem fixadas como cracas naquele modelo de antigamente, impedindo seu crescimento pessoal e atrapalhando avanços sociais e humanos.
“Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim” é o dogma repetido por aquele que possui este complexo, alegando que a culpa do seu gênio forte, do seu mau-caratismo, de sua preguiça, teimosia, erro constante, murmúrio etc. vem de sua criação, da sociedade, das instituições e até de Deus: “Já que Ele me fez assim, os outros que me aturem.” Inventam desculpas para tudo, constroem argumentos falaciosos e mentem descaradamente para abafarem situações, isentarem-se de responsabilidades e se safarem de julgamentos.
“Que culpa tenho eu?” “Não nasci para isso!” “Essa sociedade não tem jeito!” “Não vou mover uma palha.” “O tempo cura tudo.” “Entregue nas mãos de Deus.” e centenas de outras frases assassinas são emitidas diariamente por uma gente que vê nas mudanças algo que corrobore com seu pessimismo, que colabore para o fracasso, tanto seu quanto dos demais, justamente para concluir de modo arrogante: “Eu avisei.” “Já sabia.” “Só podia dar nisso.” “É o fim dos tempos” e por aí vai.
Suas crenças são incompatíveis com os avanços científicos, a qualidade de sua educação é precária e retrógrada, não sabe se divertir, faz vista grossa à corrupção dos agentes públicos, e são citados como exemplos de esperteza e de enriquecimento, mesmo que de modo desonesto, se recusa a ouvir sobre ética através dos agentes de opinião (professores, jornalistas, religiosos, políticos, filmes, novelas, etc.). Alienam-se e não querem saber que o nosso sistema de governo é o democrático e uma mudança cultural depende mais da compreensão e da conscientização pública e suas cobranças do que de atitudes governamentais.
Vemos que alguns povos se destacam no cenário mundial, apesar de viverem em países pobres de recursos, matérias-primas, solos agriculturáveis, petróleo etc., mas brilham como grandes potências econômicas, com sua produção científica e tecnológica, sua arte, qualidade de vida, cidadania e justiça social.

Mas, em nosso país, as “Gabrielas” são muitas e seu coro apocalíptico ressoa por todo nosso rincão. Como os personagens da caverna de Platão, insistem em afirmar que as sombras que vêem são a plena verdade e que nada pode e nem deve ser alterado, alegando o caos. Até quando?



12 comentários:

  1. Olá estimado amigo Augusto
    Um belo puxão de orelhas nas "Gabrielas"
    Mas é uma pena que elas prefiram se acovardar e enfiar a cabeça na areia como o avestruz a mudar de postura e erguer a bandeira da luta por uma sociedade mais justa e igualitária
    Amigos são os companheiros para todos os momentos escolhidos para figurar em nosso coração
    Você Augusto é uma dessas pessoas maravilhosas que confirmam o valor da palavra AMIZADE. Feliz “Dia do AMIGO”
    Beijos

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  2. Esse 'complexo de Gabriela' ,
    atinge uma quantidade absurda de pessoas...
    Os possuidores dessa síndrome,
    infelizmente não conseguem acompanhar
    o progresso da humanidade,
    já estão acostumados a viver no conformismo e pessismismo.
    E o pior é que se orgulham desse comportamento.
    E quem não se dispõe a pensar, não quebra paradigmas.
    Gostei muito da sua crônica Augusto.
    Bjs!

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  3. Olá Augusto,

    Parece que o "complexo de Gabriela" está se revelando uma nova síndrome. Conheço várias pessoas assim . Realmente, irritantes. São pessoas acomodadas, intransigentes e que não dão o braço a torcer. Não se pode viver alienado de questões importantes, seja para si próprio, seja para o bem da sociedade ou do mundo. Há que nos posicionarmos lucidamente e agirmos, pois o mundo gira e progride com base em atitudes, e não em lamúrias, acomodação e vitimismo .Não é o mundo que deve nos aceitar e se adequar à nossa maneira de ser e de pensar. Precisamos ser flexíveis para acompanhar as mudanças e ter humildade para reconhecer quando precisamos mudar,

    Excelente, Augusto!

    Grande abraço.

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  5. Pois é caro Augusto,

    A existência só faz sentido se nos transformarmos com o tempo, nunca seremos os mesmos, mesmo assim algumas "Gabrielas" nem o tempo consegue transformar...

    Excelente texto

    Bjos

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  6. OI AUGUSTO!
    PRIMOROSO TEU TEXTO, ACELERANDO NOSSA INDIGNAÇÃO NÃO SÓ COM OS GOVERNANTES QUE "NÓS" COLOCAMOS NOS GOVERNOS E QUE INSISTENTEMENTE OS REELEGEMOS, MAS, TAMBÉM COM A PASSIVIDADE COM QUE ESTAMOS VENDO TUDO CAIR POR TERRA, INCLUSIVE NOSSA DIGNIDADE, POR ISO ME PERGUNTO COMO NADA MAIS ESPECÍFICO ESTÁ SENDO FEITO?
    DIZER QUE TODO O POVO TEM O GOVERNO QUE MERECE, SERIA CAIR JUSTAMENTE NA RESISTÊNCIA CONTRA AS MUDANÇAS TÃO NECESSÁRIAS E DAS QUAIS FALAS EM TEU TEXTO. A GRANDE MAIORIA DE NÓS, QUER MUDANÇAS, LUTEMOS POR ELAS ENTÃO.
    MUITO BOM TEU TEXTO.
    ABRÇS
    -http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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  7. Augusto:
    Seu texto tem o brilhantismo das mentes evoluídas e conscientes.
    É por conta do "Complexo de Grabriela", que a resposta pra sua pergunta final é ad eternum.
    Enquanto existirem pessoas assim, a evolução será muitíssimo lenta e consequentemente as mudanças necessárias para termos um País melhor, justo e digno também será lenta...
    Bjs.:
    Sil

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  8. Acredito que quebrar paradigmas é tudo de bom , Bjbj Lisette.

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  9. Texto perfeito e confesso que em algumas coisas também me agarro ao passado. Não que não goste de mudanças, mas que a atual é tão ruim, como o ensino, por exemplo, que sempre cito coisas "do meu tempo". Mudanças nos causam medo sim, mas se não há mudanças não há evolução e não se saberá se foi bom ou não.
    Tem gente muito cabeça-dura que não gosta nem de pensar e raciocinar e ficam enchendo o saco de quem tem boa vontade de fazer algo que mude o contexto da situação.
    Um ótima semana, abraços!

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  10. Primeiro parabéns pelo texto brilhante, infelizmente existem muitas pessoas assim. Espero sinceramente q minha existência seja totalmente oposta do q li, tenho pavor de quem não aceita aprender e principalmente tente mudar seu jeito se ser, pensar e agir.

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  11. ematheus leonardo j.v.da cruz n°26 1°c
    gostei do seu jeito de escrever e de mostrar melhoras no pensamento dela . e do jeito que ela fala da natureza sobre sua constate mudaça

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  12. complexo de Gabriela, muito interessante esse texto, eu acho que é muito ignorante as pessoas acharem que nunca podem mudar, que nasceram daquele jeito e tem que ser sempre a mesma vida, as mesmas coisas é um pensamento muito pra trais são pessoas que tem pensamentos muito negativos é uma grande pena porque pessoas que tem essa mania vai atrasar cada vez mais a humanidade.
    nome julia alves n 17 3°G

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