domingo, 11 de janeiro de 2015

Vaidade infantil

O casal da mesa da frente saboreava sua comida todo orgulhoso dos dois filhos: um garoto aparentando dez anos e uma menina, talvez de sete. A carinha de insatisfeito do menino era visível a distância. Já, a da garotinha, era pura alegria.
O filho era a cópia perfeita do pai. Não na fisionomia, mas na maneira de se vestir: sapato, calça social, camisa de tecido e os cabelos penteados para trás. Claro que aquela imposição o diferenciava de todos os garotos do lugar, o que lhe causava constrangimento, timidez e uma raiva explícita. A filha era uma vedete em miniatura: saia curta, mini-blusa, sandália de saltinho, cabelos descoloridos e alisados, bolsinha a tiracolo e maquiagem. Aliás, muita maquiagem.
Ele tentava se esconder porque se sentia ridículo, coisa que satisfazia apenas o ego do pai, cuja tendência em adultizar aquele pobre certamente lhe causaria sérios traumas, principalmente porque sua infância truncada deixaria lacunas não desenvolvidas. Olhava outros garotos com seus trajes “descolados” e se diminuía de inveja. Ele estava sendo impedido de ser um garoto normal. Mas a vaidade do pai era sagrada.
Ela se expunha pela aparente beleza. Tirava o espelho da bolsinha e retocava a maquiagem sob o olhar deleitoso da mãe, cuja aparência era um pleno desleixo: adiposa, cabelos sem corte definido, sem alguma maquiagem e malvestida como o pai.
A vaidade é o desejo natural de atrair a atenção e a admiração de outras pessoas. Quando praticada com moderação, ela é muito saudável, pois ajuda a construir a boa autoestima. É benéfica, necessária e funciona como uma motivação. Porém, quando a vaidade se torna excessiva, coloca em risco o desenvolvimento físico e psicológico da criança, que acaba manipulando as situações a seu favor ao perceber o fenômeno de causa e efeito. É o lado prejudicial da vaidade infantil: quando ganha o aspecto da erotização ou da entrada precoce e forçada no mundo adulto.
Uma criança não tem estrutura psicológica para exercitar papeis de adultos e, assim, a vaidade perde seu caráter valorizador e se torna seu contrário: descaracteriza a criança e a transforma em objeto de adoração. No caso, os pais.
O excesso dessa prática não é determinante do individualismo e do egoísmo, mas pode colaborar para o surgimento dessas características, e é prejudicial na medida em que a criança que se forma acredita ser muito melhor do que a outra e não admite perder ou errar.
Ela acaba entendendo que apenas quando usar este ou aquele produto estará bonita ou que as pessoas irão se aproximar somente quando estiver com tal marca ou tendo tal comportamento. Pode concluir e fixar a ideia de que, se não mantiver um padrão estético as pessoas não irão gostar dela, que não tem culpa, pois a sociedade atual valoriza a posse, ter é melhor que ser e a criança também é alvo dessa prática.
O culto à beleza e a supervalorização da imagem levam a conseqüências lamentáveis, porque ignoram e omitem etapas essenciais para o normal desenvolvimento físico e mental da criança, além de comprometer seu processo de socialização.
O equilíbrio, por parte dos pais, deve ser buscado no sentido de controlar os impulsos infantis. Uma criança não possui maturidade para tomar suas próprias decisões, mas muitas acabam escravizando os pais que não souberam estabelecer limites e dar exemplos quanto aos hábitos de higiene, alimentação adequada, vestuário próprio e prática de esportes para melhor socialização. Conversar com os filhos e fazê-los entender que os excessos são prejudiciais é mister para que a vaidade positiva, adequada seja desenvolvida, sem que se torne uma prática obsessiva.




13 comentários:

  1. Boa tarde amigo Augusto
    A vaidade excessiva causa danos muitas vezes irreparáveis e no futuro só um analista poderá ajudar esse descontrole. O papel dos pais na educação e orientação dos filhos é de suma importância. Cabe a eles buscar o equilíbrio saudável para a formação pequeno ser carente de discernimento.
    Um domingo feliz e abençoado
    Um grande abraço com saudades meu amigo

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    1. Sabe, Gracita, que cada vez mais esses profissionais estarão em alta porque o descontrole sobre a vaidade é visível a olho nu. Abraço!

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  2. Olá Multiplicador(a), que 2015 seja de boas realizações para você e toda sua casa!

    Augusto, estamos aqui em nome dos Educadores Multiplicadores, pois estamos precisando de sua ajuda para alargar as fronteiras do conhecimento e encurtar a distância entre os educadores.

    Ajude-nos a conhecer novos trabalhos, fazer novas e boas amizades, todos nós ganharemos. Gostaríamos que convidasse 2 ou 3 blogs de sua lista de professores para fazerem parte da Família Educadores Multiplicadores.

    Ah, educador(a) não esqueça de atualizar/adicionar o nosso banner de parceria em seu blog, isto é muito importante.

    Certo de sua compreensão, agradecemos em nome de todos os Educadores Multiplicadores. Contamos com você! Fiquemos na Paz de Deus e até breve.

    Irivan Rodrigues

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  3. Olá, Augusto, o seu relato é impressionante e desmascara uma certa atitude parental que causa profundos danos no desenvolvimento normal de uma criança. A menininha maquilhada é impressionante. Essas crianças deveriam ser protegidas.
    Bravo pela denúncia.
    Um abraço

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  4. Olá Augusto,

    Acho lamentável a maneira como as crianças de hoje estao sendo criadas, tenho saudade da minha infância, as crianças eram livres, e brincavam nas ruas sem medo...

    Abçs

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  5. Bom dia meu amigo sempre querido, amei ler aqui, amei também recebê-lo lá no meu espaço, com certeza eu também adoraria poder conversar contigo, nossa, acredito que teríamos assuntos intermináveis!
    Seu texto nos dá a dimensão do que há de distorção do que é criar filhos de forma sem noção, pois esse tipo de vaidade é destrutiva!
    Ao caminhar de manhã perto de minha casa, vi duas crianças assim, vestidas como adultos, nossa, o menino de terno, a menina de sapatos de salto, embora não muito altos, ela queria correr e não conseguia, fiquei pensando exatamente o que nos mostrastes aqui.
    Também acredito que crianças assim pulam etapas, pois há e muito, tempo suficiente para virarem adultos!
    Abraços bem apertados, estava com saudade!

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  6. Bom dia Augusto..
    um tema importante e muito bem destacado..
    vemos isso sem fazer muito esforço não é..
    as pessoas levam muito em conta a aparência..
    querem mostrar fora o que não existe dentro ...beleza...
    uma beleza vazia por muitos vezes..
    os pais querem mostrar e mostrar os filhos bem apresentaveis para quem..
    para amigos..
    sempre achei ridiculo isso..
    não sou de coisas sociais cresci não dando a mínima pra isso.. sou feliz solto e com as roupas que me sinto bem..
    ser enfiado num terno, uma grava ta e tal... não é comigo..
    nem na formatura do meu mano fui assim..
    digamos que eu era o único ou um dos poucos que tava de calça e jaqueta jeans enquanto o resto gravatinha e as frescuras de sempre..
    deixem as crianças serem crianças não é.. abraços poeta

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  7. Um belo texto para reflexão
    Nada como educar os filhos com moderação
    e deixar que eles escolham a liberdade mas de boa
    Também tenho saudade da minha infância onde cresci
    no campo e tudo era tão bonito, hj pais e filhos mal se falam
    tem muitos que sim mas os tempos mudaram

    Bjusss

    Rita!

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  8. Olá Augusto,

    Excelente e oportuno texto. Deveria circular ou ser lido por pais desavisados que não têm noção de como educar um filho e prepará-lo para uma vida digna, de valores e saudável.
    Fiquei com pena do menino (um peixinho fora d'água). E a menina? Absurdo! Criança tem que agir como criança e sentir como criança. É uma etapa maravilhosa da vida e que não pode ser pulada por mero egoísmo ou vaidade dos pais. É normal que uma menina goste de brincar de ser mulher, mas deve logo ser orientada a respeito. Afinal, há momento para tudo.
    A vaidade infantil tem limites e pode tornar-se um problema sério na vida das crianças e dos próprios pais.
    Um tema que daria muita prosa-rsrs.

    Obrigada pela sempre agradável visita.

    Abraço.

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  9. O texto é Otimo pois como diz no texto o despreparo dos pais e a falta de informaçao sobre este tema os deixa vulneraveis a acidentes familiares...Parabens Professor Augusto---Raphael--1ºC---Nº31

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  10. .. A vaidade excessiva prejudica muito a capacidade da criança de brincar , de se divertir ..e os pais deverian orienta -las a deixar de lado um pouco essa vaidade..esse texto é otimo parabens , muitos pais deverian ler e ver que a vaidade infantil as vezes atrapalha a diversão dos filhos..

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  11. Ótimo texto, ele mostra a realidade que acontece nos dias de hoje, que pais irresponsáveis acabam traumatizando seus filhos enves de e ducados da forma correta, esse texto deviria sem mais divulgado, para ensinar a sociedade...Hernani, numero 39, 3 serie E, noite

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  12. Não devemos tirar o brilho próprio de uma criança, tudo que se torna precoce e prejudicial, tudo tem sua hora uma maquiagem, uma roupa mais justa, uma linguajar mais indiscreto, assuntos mais diferenciados.
    Penso eu que tudo tem sua hora hoje as crianças estão amadurecendo mais rápido e perdendo tudo que há de mais gostoso em ser crianças.
    DAIANE CRISTINA DE FREITAS SILVA NUM. 10 3 TA

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