quinta-feira, 23 de maio de 2013

As cotas raciais e a supremacia pálida


As cotas raciais pretendem ser um modelo de ação afirmativa adotado por alguns países visando amenizar imensas desigualdades sociais, econômicas e educacionais de seu povo e, de certa forma, possibilitar o acesso das camadas oprimidas a estratos superiores. Por aqui, as cotas raciais ganharam força a partir dos anos 2.000, quando universidades e órgãos públicos adotaram medidas em vestibulares e concursos.
Historicamente, o Brasil possui uma dívida não paga aos indígenas e negros. Os primeiros, vítimas dos genocídios, morreram. Perto de cinco milhões de indivíduos foram reduzidos a duzentos e cinqüenta mil até a década de sessenta do século passado. Os mortos não reclamam! Os segundos, trazidos para cá à força, foram tirados do eito e jogados nas sarjetas. Por força da ideologia da aristocracia pálida e da maçonaria católica deste rincão, a “gente de cor escura” passou a ter uma alma só no século XIX e nem poderia competir com a enxurrada de imigrantes de todas as partes do mundo, com escolarização, técnicas agrícolas, industriais e mercantis superiores. A “Redentora”, pressionada pelas exigências do comércio exterior, não teve outra saída senão libertá-los e abandoná-los à sua própria sorte. Nem aqueles que lutaram pela sua liberdade na sangrenta e injusta guerra contra o Paraguai foram atendidos. Era uma raça inferior mesmo!
Sem possibilidades na roça e nos afazeres das vilas e cidades, aglomeram-se nas periferias dos grandes centros urbanos e sobreviviam da rapinagem ou implorando migalhas, esmolambando pelas ruas. Os trabalhos que conseguiam eram dos piores, como o de recolher a bosta e o mijo da gente pálida, que cagava em penico e nem banheiro tinha. Assim, por imposição ideológica, acabaram crendo que o que lhes cabia mesmo eram o barraco na favela, o submundo, a malandragem, o canivete, a umbanda, o samba e a cova rasa.
A segunda maior população negra do mundo está no Brasil e ainda hoje ela é relegada ao subúrbio social, mas não se pode alterar um comportamento social discriminatório na base da canetada. A cota racial, ou ação afirmativa, como dizem, beneficia um ou outro, aqui e lá, mas não resgata a dignidade da maioria dos negros ou indígenas. Para ser “aceito”, o pretendente a uma vaga numa faculdade ou universidade precisa assinar um termo autodeterminando sua raça e ainda passar por uma entrevista, que mais gera discussão que solução, devido à sua subjetividade.
É louvável o desejo de alguns de superação das desigualdades socioeconômicas visando atingir a igualdade entre as pessoas. O sistema de cotas seria um modo de acelerar um processo de inclusão social de grupos à margem da sociedade, incluindo-se aí os imigrantes, deficientes físicos, mulheres, idosos e outros. Porém, esse desejo não altera o ethos dos pálidos e o risco de tudo continuar na mesma já virou rotina abaixo do trópico de Capricórnio. Quem vai determinar quais pretendentes terão direitos às cotas? Os pálidos bonzinhos? Óbvio!
Uma ação afirmativa, que se propõe fazer uma sociedade evoluir, não importa o tempo que leve, deve possuir também ações conjuntas que foquem a origem das desigualdades, ou seja, a deficiência das estruturas de base, como educação, distribuição de renda, oportunidades iguais, resgate da dignidade de um povo e muitas outras.


19 comentários:

  1. Boa tarde meu amigo e professor Augusto, ainda vai demorar muito para que acabe o preconceito nesse País, mesmo porque os próprios negros não sabem valorizar a raça deles, isso é, nem todos, muitos estão se valorizando e muito, ainda veremos a igualdade de direitos, estão lutando por isso, quando digo negros, é por serem eles os que estão mais em evidência ainda, pois o preconceito é nocivo em todos os sentidos.
    Quanto a política de cotas, nem sei se é por aí, mas como é preciso fazer alguma coisa para amenizar a culpa de muitos anos, é válida, mas há polêmica e muito sobre isso!
    Gostei do texto, aqui sempre aprendo!
    Abraços.

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  2. Olá Augusto,
    é mesmo muito triste o preconceito,certas pessoas se vêem diferentes ou melhores que outras por motivos que não tem importância e valor nenhum, abomino qualquer tipo de preconceito. abraço!

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  3. Olá Augusto:
    Sobre seu comentário no meu blog, receber carinho, transmitir doçuras, espalhar gentilezas, ... enfim pequenas atitudes que alegram o coração e deixam alma mais leve.
    Agora sobre seu post, o assunto é realmente polêmico.
    Mas encaro numa perspectiva diferente da sua (sem discordar de uma palavra, do seu parágrafo final).
    Acontece que não há "negros" (e aqui o termo não é pejorativo nem preconceituoso), somente nas camadas oprimidas.
    Portanto, não vejo que o modelo a ser adotado, seja o de possibilitar o acesso apenas das camadas oprimidas.
    Basta lembrar do nosso atual presidente do STF (Joaquim Barbosa).
    Penso que precisa haver interesse dos dois lados: do governo em aplicar políticas públicas voltadas para a educação, e da população, em deixar de ser acomodada e ir em busca de seus ideais.
    Bjs.:
    Sil

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  4. Olá Augusto, seu texto é uma lição de história com uma visão crítica excelente! Sem querer se politicamente incorreta mas já sendo, porque, como boa advogada e professora, acredito no direito de expressão, preciso dizer que o sistema de cotas me parece uma forma terrível de gerar mais preconceito. É como o dia da mulher, porque não existe o dia do homem, sabe porque? Porque homens e mulheres são diferentes mesmo. É suficiente que sejam respeitadas as diferenças. Sabe porque inventaram o sistemas de cotas, porque o sistema de educação é ruim e é melhor criar cotas do que usar o dinheiro dos nossos impostos e melhorar as bases! Simples assim, talvez não tão simples :-), escrevi demais!
    abs
    Monica

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  5. Olá amigo, muito bacana o seu texto, outro dia minha filha teve um debate na escola sobre cotas, metade da turma deveria defender e a outra metade não, ela ficou na turma que não defenderia, e veio me perguntar quais argumentos ela poderia usar contra, foi muito legal conversar com ela sobre isso, nesse caso usei o ex de alguns primos nossos que são brancos e humildes e sempre estudaram em escolas publicas no entanto todos eles entraram em faculdades federais de renomes, sem cotas, por que se esforçaram p isso, penso que mesmo negro e sem condições a pessoa esforçada dedicada conseguirá a sua vaga independente de cotas, assim como aconteceu com nossos primos! Abraçosss

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  6. Olá Silvana! Também não discordo de você, mas o ministro Joaquim Barbosa (grande homem) é um grão de areia no deserto. Contudo, o interesse de que fala, ele é direcionado por força da ideologia dominante, que impõe uma condição de inferioridade às camadas oprimidas, como se o que elas tem já lhes bastasse. Elas acabam crendo que Deus já lhe deu a vida e o pouco que tem é uma bênção.
    Penso que somente um investimento de peso e sério, com valorização total dos professores e profissionais da Educação, poderá reverter e redirecionar essa lacuna, plena de omissões, mentiras, silêncios e saltos de nossa sociedade. Só o conhecimento transforma as pessoas e as torna humanas. Só ele pode desalienar e tornar essas pessoas conscientes de que são donas dos seus destinos, porque o saber lhes permite fazer boas escolhas. Mas isso não convém aos ideólogos de plantão, não é?
    Abraço!

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  7. Oi Augusto !
    Mais um post pertinente,e até polêmico!
    Sabemos que criaram a cota racial,para tentar apagar um erro do passado...
    O problema se origina na educação básica.
    Quem dera se o governo investisse seriamente na educação (infantil,fundamental e ensino médio);
    então apenas estudando com seriedade e vontade,o aluno pobre,seja ele branco ou negro,seria aprovado numa universidade pública.
    Cotas,não demonstram igualdade social,e são uma falsa ideia de inclusão,e ainda insinua que os negros não têm capacidade de conseguirem aprovação em um vestibular, pelo próprio esforço.
    Um abraço \o/
    Aproveita o fim de semana :)

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  8. Olá querido amigo, obrigada pela visita, adoro seus comentários, volte sempre.
    Quanto ao seu post, realmente pertinente e polêmico como citou a querida Clau.
    Será que esta não é mais uma forma de discriminação racial! Na minha opinião todos deveriam ter direitos iguais, independente da cor, pois todos somos iguais perante as leis, pena que no Brasil as Leis não são cumpridas na íntegra.Cotas,não demonstram igualdade social. Esta é minha opinião, respeito as demais.
    Abraços , um lindo final de semana.

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  9. Oi Augusto
    Muito bom o seu texto! Aliás isso não é nenhuma surpresa! Vc é um grande escritor, e sempre que aborda um assunto, o aborda com propriedade. Concordo plenamente contigo, esse negócio de cota não tá dando certo, mesmo que desse, não seria esse o caminho, e sim os caminhos que vc bem apontou no seu texto.
    Bjos.

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  10. Um tema complexo, nesse país tudo está tao fora de lugar, a sociedade é tao preconceituosa e machista, que as vezes penso que nao há mais soluçao.... e tudo pode ficar ainda pior...

    Abçs

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  11. Sou contra cotas e bolsas da vida....mas estamos no Brasil e infelizmente bem longe de uma politica igual para todos.

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  12. Excelente texto e tema muito bem explorado.Não se acaba com um preconceito a canetadas,tem razão!Precisamos com urgencia de educação de qualidade nesse país!Obrigada por sua visita e comentario lá no Educação em foco.bjs e boa semana,

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  13. Mais um bom texto para refletir
    tudo sobre essa cota e dividir, um tema que exige mais educação para que as pessoas se comportem melhor
    Mas gostei e seria tão bom discutir
    sobre tudo isso, belas opiniões por aqui
    Gostei
    Deixo um abraço com carinho
    Bjuss
    Rita!!!

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  14. Belo texto, menino.
    O certo seria não ter que lutar pra ter cotas. Bem, não sou negra, nem escrava, nem nada então não sei o que os negros passam. Se pra ter um pingo de dignidade a cota ajuda, então que façam valer a lei a favor deles.
    Eu fico pensando se eu terei que pagar isso o resto da minha vida, mesmo não tendo feito nada contra ninguém. Será que é ignorância minha?

    Beijos

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  15. Muito oportuno o texto amigo!Acho o sistema de cotas preconceituoso. Por que não investir na educação e em mais universidade para todos?! Brancos, negros, índios, mulheres?...Bjs.

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  16. Gostei muito do texto professor, e acho que as cotas raciais em vez de manter a igualdade, só está diferenciando todos nós.

    Victor Amadeus, Nº35 - 2ºB

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  17. Muito oportuno o texto professor , somos todos iguais , e quem é contra isto merecer justiçado Jhonatan N°16 1b

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  18. acredito que as cotas raciais estão passando um ar de superioridade para as demais etnias inferiorizando os negros acredito que isso soa mais como racismo com os que se beneficiam com as cotas somos todos iguais deveriam seguir isso nesse assunto também...3ºG Nº10

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  19. Os negros foram de fato os que mais sofreram na história,acho mais que correto as cotas,eles merecem ser recompensados depois de tudo oque ja passaram.

    Elen cristina n8 3b

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