sexta-feira, 19 de abril de 2013

Eutanásia


Eutanásia (dos termos gregos: eu – bom, boa, e tânatos – morte) significa literalmente “boa morte”. Quando uma pessoa morre naturalmente e/ou de velhice, os parentes ficam mais tranquilos, aceitam melhor a perda e dizem que ela apagou, morreu dormindo e que foi uma bela morte. Já, quando uma pessoa sofre de uma doença fatal, assim que sua morte é anunciada, os parentes ficam até aliviados porque não aguentavam mais vê-la sofrer e dizem que foi melhor para ela, que o sofrimento terminou, que ela descansou e por aí vai.
Porém, se a pessoa doente ainda mantém sua consciência e decide tirar a própria vida com ajuda de médicos, porque possui uma doença incurável, que provoca muita dor e sofrimento, ou está nos últimos estágios antes da morte, ela não pode. Esse é um ponto muito polêmico porque, de acordo com o linguajar jurídico, o direito à vida é inalienável, isto é, é um direito ao qual as pessoas não podem renunciar, mesmo que queiram ou com o consentimento dos responsáveis. Alguns grupos religiosos também usam dos mesmos argumentos, afirmando que a eutanásia é um pecado, assim como o suicídio.
De outra maneira, pessoas favoráveis à eutanásia argumentam que se trata de fazer um bem a quem sofre, de resgatar a dignidade da pessoa, e, se a ciência nada mais pode fazer para curá-la e nem para lhe dar conforto, a morte seria um recurso para manter a dignidade da pessoa doente. Sendo assim, dizem, não seria um crime abreviar seu sofrimento, já que ela deseja também não mais sofrer. Não se trata de continuar vivo apenas; mas ter uma vida digna e livre de dor.
Uma jovem esposa estadunidense, após dez anos em coma, com seu cérebro e músculos atrofiados, cientificamente provado que estava impossibilitada de retornar à uma vida saudável e normal, teve os aparelhos, que a mantinham viva, desligados. A ação, que culminou em ganho de causa pelo esposo e familiares, argumentando que ela estava clinicamente morta, foi motivo de muita polêmica na mídia internacional. Os oportunistas e moralistas de plantão levantaram cartazes em muitos países, alegando eutanásia e acusando a todos, inclusive os médicos, de criminosos.
Na Esparta, da Grécia Antiga, e em muitas culturas atuais, como a de algumas tribos indígenas do Brasil, a prática da eutanásia de pessoas condenadas a um martírio até a morte ou de crianças geneticamente incapazes de se tornarem pessoas humanas é considerada um bem e todos consentem com ela, sem algum ranço de má consciência.
Não se trata aqui de tomar decisão pelos outros ou de legislar em causa própria. Só quem passou ou passa por um momento difícil como os citados é que podem argumentar a favor ou contra, independente de sua crença religiosa ou grau de moralismo. Enquanto o problema está na casa do vizinho é muito fácil levantar bandeira e promover gritaria baseada no senso-comum e desprovida de critério racional. Mas, quando ele se instala em casa, a opinião pode ser contrária. O que falta para muitos é o que se chama de empatia, ou seja, a capacidade de sentir o que os outros sentem, de se colocar na posição dos outros e de pensar como eles pensam, para depois emitir uma opinião ou tomar uma atitude. Assim como a vida é inalienável, a felicidade o é também. Entretanto, se somos livres para fazer nossas escolhas, ter nossas opiniões e agir de acordo com elas, também temos de respeitar as opiniões contrárias, com o risco de excluirmos a diversidade como questão básica da evolução. 


18 comentários:

  1. Olá

    Acho que é a primeira vez que posto aqui, coloquei seu blog na minha lista de favoritos.
    Eu sou contra o sofrimento da pessoa, existem remédios para esses fins.
    Minha mãe sofreu dez dias para morrer, eu estava entorpecida de ver seu sofrimento: sem comer, sem falar, sem fazer suas necessidades e inchado cada dia mais.
    Eu ajoelhei-me e pedi a Deus que a levasse consigo, pois não aguentava mais ver seu sofrimento. Não demorou muito tempo, ela explodiu, da para entender? abriu os olhos e morreu.
    Sinto sua falta, mas não lembro o dia da sua morte, pois nós conseguimos direcionar nossos pensamentos para qualquer outro lugar.
    Linda e a contento sua matéria
    Beijos
    Lua Singular

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  2. Um texto para refletir....

    Bom eu particularmente sou contra
    Não teria coragem de deixar que
    desligasse o aparelho de alguém da
    minha família.
    Acho que quando Deus coloca um filho no mundo, só ele sabe a hora de resgata-lo......cada um tem seu dia e hora para sair dessa vida.
    Enquanto há um suspiro ainda há vida, então, não teria mesmo coragem pra deixar.
    Mas cada cabeça pensa de um jeito, eu respeito a opinião de cada pessoa
    Abraços e bom final de semana
    Bjuss
    Rita!!!

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  3. Oçá amigo, este tema sem duvida é polemico, e só estando na situação para realmente saber o que fazer, seja como familiar ou até mesmo o próprio doente, não sei o que dizer a respeito, e espero nunca saber rsrs abraçosss

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  4. Oi Augusto!
    Esse assunto é bem polêmico...
    não gosto nem de pensar muito a respeito,mas eu tenho uma opinião sobre isso:
    Se a pessoa tem uma doença incurável,está sobrevivendo apenas com a ajuda de máquinas,não tem perspectiva de melhora,então a eutanásia seria um alívio pra ela.
    Eu acho que não seria imoral desligar os aparelhos e deixá-la morrer.
    Pra família tomar essa decisão deve doer tanto,é a decisão mais difícil...
    Eu acredito que Deus pode livrar uma pessoa da morte,mas também creio que Deus,não gostaria de ver a pessoa vegetando toda entubada...
    É isso.
    Um abraço \o/

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  5. Muito boa postagem, a eutanásia é mesmo um tema que merece reflexão. Cada pessoa tem sua opinião, mas eu sou contra, ninguem tem o direito de tirar a vida de ninguem mesmo em fase terminal, para os familiares, enquanto há vida existe esperança. Hoje, tem muitas medicações que podem amenizar o sofrimento, embora imagine que a dor da morte seja terrível, pra que adiantar. Deus sabe o momento certo. Abraçoss

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  6. Oi Augusto,

    Concordo que a dor tem que ser aliviada, e se o alívio for dessa dessa forma, que seja...

    Bjos

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  7. Olá Augusto.
    Curioso pois estava comentando mo blog da jan do blog Assim, assim sobre a eutanásia em animais.
    Já tive que decidir sobre isso em um cavalo que tinha, optei por não vê-lo sofrer. Agora fico me perguntando se fosse em um humano, na minha família ou alguém próximo a mim e o que faria. Ficaria difícil responder, pois é muito dolorosa uma decisão assim. A pessoa que decide fazer isso já esta sofrendo não precisa ser julgada mais ainda, não se esquece facilmente um ato como este, mesmo que esteja ciente que foi melhor assim. Mas como escreveste acima se colocar no lugar do outro é preciso, ninguém pode julgar até passar por uma situação que deva optar por manter a pessoa sofrendo ou deixa-la livre para seguir ao descanso merecido a qualquer um que convalesça em uma doença terrível.
    Deixando meu carinho e o desejo de uma linda semana. Beijinhos.

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  8. Penso que ninguem pratica a eutanasia por puro capricho e sempre é uma decisão muito dificil.Se minha gata que tive que concordar com a eutanasia já foi uma dor imensa,imagine um ser humano!Sempre excelentes reflexões por aqui!bjs,

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  9. Espero nunca passar por isso, como disse só nos colocando no lugar do outro podemos tentar sentir, deve ser horrível ver uma pessoa que ama definhando, sorte aqueles que tem um piripaque como dizem e vai rapidnho...

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  10. Como estou aqui meio "correndo", lembro de ter passado por este post e não haver comentado.
    Eu concordo completamente com o texto e quanto ao moralismo religioso citado pelos aspirantes a "pastores" que citou em um dos meus posts, este é um assunto que realmente me intriga.
    Todos levantam bandeira contra a eutanásia, que "não podemos bancar deus", no entanto, a maioria é a favor da pena de morte. Como compaixão não podemos "bancar" deus, porém, como vingativos, sim.
    A sério que nunca vou entender o raciocínio desta gente e... prefiro mesmo não entender.
    O que mais curto em seu blogue é que não teme em tocar assuntos polêmicos, por mais que venham os ataques moralistas.
    Admiro muito seu trabalho aqui e deve ser uma honra tê-lo como professor.
    Abraço.

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  11. não apoio nem desapoio....
    cada um faz o que quer....
    espero que não vão contra o acordo de Jeova.....

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  12. Concordo plenamente com o termo utilizado, "na casa do vizinho". É igual o assunto do preconceito. Temos que começar a refletir sobre nossas palavras, decisões e atitudes. E a eutanásia pra mim, se for combinada e analisada com os familiares, concordo com o uso da mesma. Melhor deixar partir, do que continuar com o sofrimento!
    Jamyllir 2° C- n 21

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  13. Esse assunto deve ser pensado e repensado antes de criarmos uma opinião. Uma pessoa em seu estado terminal, sem expectativas de melhoras, ou condições de voltar à uma vida normal, não merece sofrer em uma cama de hospital, nesse caso, acho que deveria sim ser praticada a eutanásia. Mas, se envolvermos a religião, talvez não aceitaríamos sua prática, pois devemos pensar que só Deus sabe a hora de colocar, ou tirar do mundo.

    Marcela Rabanera, nº21. 2°B.

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  14. Assunto bem polêmico, porém bom de se discutir....No meu ponto de vista,para uma pessoa que tem uma doença, sem cura onde não possui uma vida ativa e vive em constante sofrimento, se for algo debatido e concordado por toda a família a eutanásia é uma boa medida para se tomar, não jugando pela morte, mais pela paz espiritual da pessoa,e sem falar, no sofrimento da mesma....

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  15. Muito interessante o texto, e bem polêmico.. No meu ponto de vista, uma pessoa doente e que nem a ciência pode ajuda-la não deve ficar sofrendo em uma cama de hospital e sim deve ser praticado a eutanásia.
    Daiane 2°B n°7

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  16. A vida é inalienável, isto é, é um direito ao qual as pessoas não podem renunciar, mesmo que queiram ou com o consentimento dos responsáveis.
    Rafael Viegas nº 27 2°A

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  17. É um assunto muito polemico e sempre causa debates entre religiao e medicina, texto bem escrito e com bons argumentos professor .
    Nicoly n°32 2°C

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  18. A eutanásia é um assunto muito crítica de se falar porque só quem está passando por essa decisão sabe o que se deve ser feito ou as pessoas que o cerca. O mais próximo que tive contato com isso foi com alguns cachorros que já tive, que infelizmente tivemos que optar pela eutanásia. Que no momento era a melhor opção pois era motivo de doença e para não prolongar o sofrimento era melhor assim. Mas cada um tem uma opinião própria e só quem vive esse dilema sabe o quanto é difícil,afinal essa tal "boa morte" é a melhor opção ? quem sabe ..
    Daniele Lenise 2♂A

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