sábado, 23 de março de 2013

Violência e não-violência


A violência é um fenômeno social, humano. Ela sempre existiu e vem aparentemente aumentando em todo o mundo nos últimos anos, gerando medo, desconfiança e isolamento, principalmente porque a mídia transmite, em tempo real, muitos casos que ficariam ocultos e passariam despercebidos. Sabemos de violência contra crianças, idosos, mulheres, povos indígenas, negros, além daquela contra a pobreza, miséria, origem etc.
Em nossa sociedade, a herança de uma constituição familial machista sempre gerou violência, principalmente a doméstica. Esta não se limita à violência física, mas também inclui depreciações verbais e o trato desumano.
Algumas pessoas aprisionam seus companheiros e monitoram suas ligações telefônicas, correspondências e e-mails que recebem, numa tentativa de isolá-los da sociedade. Outras proíbem as amizades anteriores como se fossem perigosas, assumindo postura de proprietárias e não admitem que cometam um crime.
Esse tipo de violência também pode se manifestar de forma psicológica, quando se destrói os pertences pessoais do companheiro ou dos filhos, privando-os economicamente e deixando de fornecer meios suficientes para a sobrevivência e independência, torturando e questionando seus gastos.
A persistência dessa violência leva as vítimas a um estado de desespero psicológico. Acabam por aceitar as acusações e ficam tão privadas de auto-estima que passam a crer que de fato merecem ser maltratadas. Algumas se sentem muito impotentes e se desesperam, perdendo a coragem de transformar o contexto autodestrutivo que vivenciam.
Todos temem a violência do cotidiano, daquela que acontece lá fora. Cercam suas casas e as eletrificam, arrumam cães ferozes e se armam para contê-la. Mas, muitos se esquecem de que a praticam dentro do que chamam lar.
A saída, além de procurar os meios legais para romper o ciclo de tortura, é agir com a não-violência, que não é uma forma de passividade. Também não é uma atitude resignada de quem se esquiva, por medo, do enfrentamento e da discussão. Ela é uma postura de vida e uma metodologia de ação, inspirada em profundas condições éticas, e uma resposta coerente à violência institucionalizada.
São sabidas as atitudes de não-violência de Mahatma Gandhi, que lutou pela independência da Índia, e de Martin Luther King, que batalhou pelos direitos civis e pelo combate à discriminação racial nos Estados Unidos. Ambos acabaram assassinados, mas suas práticas transformaram a história e inspiram movimentos no mundo todo. Quem não se lembra do sul-africano Mandela ou do jovem chinês, que enfrentou sozinho um tanque de guerra apenas segurando uma rosa amarela?
A coragem deve florescer sempre, não somente naqueles que sofrem, mas também naqueles que conhecem a violência praticada, não se calando ante essa desumanidade. Como dizia Gandhi, “a não-violência é a completa ausência de malquerer para com tudo o que vive. A não-violência, sob sua forma ativa, é boa vontade para com tudo o que vive. Ela é amor perfeito.” Completando com uma frase de Luther King: “não é o barulho dos maus que me assusta, mas o silêncio dos bons.”

13 comentários:

  1. Professor Augusto, lindíssimo texto, amei!!!
    Bem assim, a não violência se combate com a paz, a tranquilidade, eu sempre digo em meus textos o que é ser calma, têm pessoas que acham que ter calma é ser fraco, jamais, tanto é verdade que nunca em toda a minha Vida,( já meio longa, como sabes, tenho 64 anos bem assumidos e felizes, exatamente por saber me posicionar sem deixar nada me agredir) fui agredida, sendo assim jamais agrido, vivo mesmo o que escrevo!
    Grande abraço, aqui aprendo sempre mais, ou melhor, confirmo meus pensamentos!!!

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  2. Oi, Augusto!

    Como tem passado?
    Gosto muito do que você escreve. Em geral, aborda os assuntos, desde os mais simples aos mais eruditos, com conhecimento e desenvoltura, e já sua irmã Rita, faz do mesmo jeito.
    Vocês têm berço, é isso.

    Quanto à violência e não violência, é um assunto complexo. Eu sei que violência gera violência, e digo isso, um montão de vezes aos meus alunos, mas, raramente alguém dá a outra face, depois de levar uma bofetada na outra.

    Gandhi é daqueles homens, que nunca esquecem nem morrem. Ficam para a História e para Deus, decerto.

    Beijo da Luz.

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  3. Oi Augusto :)
    Mais um texto reflexivo,que gostei muito.
    Bom seria se as pessoas resolvessem os conflitos pelo diálogo,diplomacia,e não pela violência.
    Mas esse nível de civilização,talvez nunca seja alcançado,infelizmente.
    Vc encerrou o post com uma das minhas frases preferidas:
    'Não é o barulho dos maus que me assusta,mas o silêncio dos bons.'

    Boa semana pra vc \o/

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  4. Oi Augusto,
    cada linha de teu texto é significante e significado do tema recorrente em nossa sociedade bem mais do que gostaríamos.
    Sabemos que há avanços, mas ainda são tímidos diante das realidades conhecidas e desconhecidas, mas não há que se esmorecer.È preciso saber.È preciso falar e agir em repúdio a esta violência camuflada e constante.
    Boa semana.
    Uma abraço.
    Calu

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  5. Perfeito!

    Texto perfeito...sem mais acrescentar...

    Bjos

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  6. Esse post ficou excelente e fechou com chave de ouro na citação de Martin Luther King, eu sou a favor de fazer sempre a parte que nos cabe, mesmo que os outros não façam, mesmo que seja pouco, que aparentemente não mudará o mundo, mais é preciso sim. Vejo muito o silêncio dos bons, quando começam a achar "normal" certas situações de noticiário, não é normal, não é aceitável, cada vez mais o respeito está ficando para trás e o resultado disso é a violência e falta de humanidade, a falta de educação e amor entre as pessoas.
    Um abraço carinhoso

    Paty Alves
    Ágape Amor Verdadeiro
    Patyiva
    Vou Conseguir

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  7. Que bonito, adorei esse texto
    refletir muito nesse assunto
    que é muito amplo, mas ninguém discute o que é bom para não acontecer mais isso
    Deixo um abraço de bom final de tarde
    E a frase final foi divina
    Bjão
    Rita!!!!

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  8. OLÁ AMIGO MULTIPLICADOR!!! VIM CONHECER SEU BLOG MAS ANTES DEI UMA PASSADINHA TAMBÉM NO OUTRO SOBRE RECEITAS. AMEI OS DOIS!!!! GOSTEI E ESTOU SEGUINDO.
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    UM ABRAÇO

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  9. Olá Augusto, postagem importantíssima, vale refletir. A violência vem aumentando sim e em todo mundo. As cidades do interior que eram calmas já não estão, infelizmente. Com certeza paralelo a isto aumentam as drogras e o uso indevido. Trabalho em duas escolas e os alunos usuários são os mais prejudicados no rendimento da aprendizagem , e por mais que tente se combater, resistem ao vicio.As vezes nos sentimos impotente diante desta realidade.
    O momento é de renascimento, momento é de mudança. Que o seu coração esteja em páscoa, que as bênçãos de Jesus recaiam sobre sua família e que vocês façam desta ressurreição, a vossa ressurreição. Que todos sejam fortes e cada semente plantada supere as adversidades para que possam vislumbrar novas esperanças.
    Que este nosso mundo virtual nesta páscoa seja cada vez mais humano.
    Feliz Páscoa!
    Abraços Lourdes Duarte

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  10. OI AUGUSTO!
    MUITO BOM TEU TEXTO.
    A VIOLÊNCIA NÃO DEVERIA EXISTIR ENTRE SERES QUE SE DIZEM HUMANOS, MAS ELA ESTÁ LÁ,MACHUCANDO, MATANDO OU SÓ SUBMETENDO.
    ABRÇS E FELIZ PÁSCOA.
    http://zilanicelia.blogspot.com.br

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  11. Prof. belo texto.
    Como humanizar a vida nao é mesmo?
    Um excelente final de semana.
    Um grande abraço.

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  12. A violência velada é mesmo a mais perniciosa, pois corta as raízes que é onde se extrai a essência da vida.

    Lembrei-me de um trechinho do último discurso de 'O Grande Ditador':

    "Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido." (Chaplin)

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  13. Oi Augusto,
    Vi seu link no blog da Sil, sobre a sinopse semanal e vim conferir.
    Vc selecionou um post muito bom, um dos seus melhores textos.
    Já tive o prazer de ler ano passado, mas hoje reli.
    Um abraço \o/

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