segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O mito da caverna


Um grupo numeroso de homens encontra-se preso numa caverna, acorrentados pelos pés e pescoços, de modo que não pode se virar para a entrada e somente veja a parede do fundo. A luz que vem de fora projeta imagens fantasmagóricas de homens, animais e coisas que passam pela entrada naquele fundo. Então, acostumados à escuridão, pensam que aquelas sombras representam a própria realidade, pois não conhecem outra, já que nasceram e cresceram ali. Os sons que ecoam nas paredes da caverna, os fazem ter certeza que são aquelas sombras que os emitem. E, assim, permanecem naquela situação porque pensam que viver é tudo aquilo que eles conhecem.
Todavia, se um deles consegue se libertar das correntes e se dirigir para a entrada da caverna, primeiro sentirá a violência da luz em seus olhos, depois enxergará com dificuldade as figuras que transitam pela entrada. Mas, contendo-se e acostumando a vista àquela claridade, perceberá que se trata de objetos com formas e cores, depois distinguirá sons e movimento. Ficará tão maravilhado e, ao mesmo tempo, confuso porque o que cria ser a plena realidade era apenas uma fantasia, que aquela verdade que antes defendia era uma grande mentira.
Lembrando-se dos que permaneciam no interior da caverna, naquela falsa realidade, ele vacila em sair de vez e permanecer num mundo que lhe permita conhecer as coisas ou retornar e avisar seus companheiros de que estavam vivendo uma pura ilusão. Porém, se retornasse poderia ser ignorado, dado como louco e mentiroso ou até ser morto, porque eles se revoltariam e não aceitariam viver de outra maneira, já que o que tinham lhes bastava.
Nessa alegoria, Platão (A República. Livro VII) sutilmente critica a condenação de seu mestre, Sócrates, o grande sábio da Grécia Clássica, à pena de morte. Também, a obstinação das pessoas em permanecerem na ignorância (escuridão), em libertarem-se das correntes que as aprisionam ao senso comum, falsas crenças, preconceitos, ideias enganosas e, por causa disso, imaturas e inertes em suas poucas possibilidades, incapazes de alterar seu destino e infelizes. Negam-se a romper o ciclo de escravidão em que se encontram e se enraivecem quando criticadas.
Esse mito é uma metáfora da condição humana ante o mundo e diz respeito à importância do conhecimento e da educação, como forma de superação da ignorância. Trata também da passagem paulatina do senso comum, enquanto visão de mundo e explicação da realidade, para o conhecimento das verdades, por meio de métodos inteligentes, sistemáticos e organizados, calcados na racionalidade e na causalidade.
Quanto a essa realidade, se o que vivemos é verdade ou não, segundo o autor “Só Deus sabe se ela é verdadeira. Quanto a mim, a minha opinião é esta: no mundo inteligível, a idéia do bem é a última a ser apreendida, e com dificuldade, mas não se pode apreendê-la sem concluir que ela é a causa de tudo o que de reto e belo existe em todas as coisas; no mundo visível, ela engendrou a luz; no mundo inteligível, é ela que é soberana e dispensa a verdade e a inteligência; e é preciso vê-la para se comportar com sabedoria na vida particular e na vida pública.”

6 comentários:

  1. Olá Augusto,

    Um grande texto cheio de reflexoes, seria bom se todos pudessem libertar-se das correntes e sair mundo afora...

    Bjos

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  2. Bonita e importante reflexão, Augusto.

    Há quem tenha olhos e não veja, falta-lhe o discernimento da educação.

    Um abraço!

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  3. Oi :)
    Tem muita gente presa dentro da caverna...vendo o mundo pelas sombras e tendo uma visão distorcida da realidade...
    Gosto muito dessa metáfora 'O mito da caverna';
    como pode um texto antigo desses,ser tão contemporâneo né?!
    Um abraço Augusto!

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  4. Interessante teu texto.
    O lugar Augusto é muito bonito, vale a pena conhecer.
    Um abraço!

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  5. O novo desde sempre, causou desconforto.O conhecido mesmo que difuso, é a segurança sabida.Milhões o retém com todas as forças, pois o acreditam antídoto contra o medo do desconhecido.Outros milhões o defendem como bandeira garantida para suas verdades egocêntricas.Quanta letargia, não é?
    Li, reli e adotei tua declaração como mais uma das boas crenças que tenho.
    Boa tarde p/ vc, Augusto.
    Abraços,
    Calu

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  6. Isso é um texto que devemos refletir pois ele relata o senso comum como fraco sem conhecimento, ignorante coisa que n devemos seguir. As vezes temos que questionar temos que pesquisar mais profundamente temos que sair do senso comum só assim sairemos desta caverna. 1*C N *16 isa

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