quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Ísis


Geb, o deus da Terra, e Nut, a deusa do Firmamento, tiveram muitos filhos. Mas Ísis foi a primeira e mais importante. Desde jovem, era amiga dos escravos, pescadores, artesãos e oprimidos, mas também ouvia as preces dos opulentos, das donzelas, aristocratas e governantes. Era muito querida de todos os homens.
Quando tinha a idade de quinze anos, seus pais falaram a ela que estava hora de se casar e que escolhesse um dos pretendentes. Dois deles passaram a lutar por Ísis e, o pior, os dois eram irmãos dela. O primeiro era Seth, o deus da violência e desordem, da traição, ciúme e inveja, do deserto, da guerra, dos animais peçonhentos, serpentes e escorpiões. Tinha a cabeça de um chacal e diziam que rasgara o ventre da mãe Nut quando quis nascer e pretendia destronar o próprio pai. O segundo era Osíris, cordato e bom juiz, personificava a terra do Egito e sua vegetação.
Ísis preferiu a Osíris devido às suas qualidades e dele engravidou, sem nunca ter se deitado com ele, ou seja, era ainda virgem.
Enfurecido, Seth mata Osíris, esquarteja-o em milhares de pedaços e os espalha pelo rio Nilo. O rio, que deságua no mar Mediterrâneo, ajudou a espalhar os restos de Osíris pelos recantos da terra. Ísis chorou demais a morte do marido e dizem que de suas lágrimas se originaram as cheias do rio que corta o Egito.
Ísis pariu um menino, que foi chamado de Hórus. Ele tinha o corpo de um humano, mas sua cabeça era de falcão, tinha também visão excelente e uma esperteza incomparável. O garoto cresceu forte, mas ressentido com Seth pela crueldade com que matara seu pai. Quando atingiu a idade de quinze anos, enfrentou-o e o derrotou, tornando-se o deus dos vivos.
Assim que pode, passou a perambular por toda a terra, juntando os pedaços do corpo de seu pai. Quando julgou ter reunido todos os pedaços, trouxe-os para junto da mãe, que os colou e lhe soprou nas narinas para que ele revivesse. Osíris voltou à vida, mas foi reinar no subsolo, onde os mortos eram julgados por ele e encaminhados para o suplício ou para uma terra paradisíaca, onde escorria leite e mel.
E foi assim que Ísis, além de irmã e esposa também se torna a mãe de Osíris, por ter lhe devolvido a vida. E Hórus, além de filho se torna pai de seu próprio pai.

Parece muito estranha essa história, mas dentro da cosmogonia egípcia, a mulher deveria ser e parecer irmã e amiga, esposa e confidente, e agir como mãe do seu marido, para que ele se sentisse respeitado em todos os sentidos e respeitasse sua mulher como deveria respeitar sua própria mãe. E o filho que, na velhice do pai, deveria cuidar e zelar por ele como se fosse seu próprio filho. Dessa forma, a sociedade se espelhava nos acontecimentos celestes e se organizava de acordo. Ainda parece irreal, mas esta sociedade perdurou por quatro milênios.

O culto a Ísis não se restringiu apenas ao Egito, mas se estendeu pelo Mediterrâneo e Atlântico, até a investida fatal do cristianismo, no século VI. Em Roma, ainda há templos e obeliscos. Na Grécia, havia culto em Delos, Delfos, Elêusis e Atenas. Portos de Ísis eram encontrados no mar Arábico e no mar Negro. Inscrições mostram que possuía seguidores na Gália, Espanha, Panônia (parte da Hungria e Áustria), Alemanha, Arábia Saudita, Ásia Menor, Portugal, Irlanda e há até santuários seus na Grã-Bretanha.
Assim que o cristianismo ganhou popularidade, difundindo-se pela Europa, os cristãos transformaram os templos de Ísis em igrejas e a imagem da deusa, sentada e segurando um menino, foi substituída pela de Maria, segurando o menino Jesus. Este, assim como Hórus, também teria nascido de uma virgem. E qualquer semelhança talvez não seja mera coincidência. 

9 comentários:

  1. A história com seus mitos e lendas. Tudo isso faz parte da imaginação do homem. E assim o homem vai vivendo o seu dia a dia a espera do seu próprio fim. Prefiro acreditar em um único DEUS verdadeiro ao invés dos deuses. Falando nisso, que Deus te abençoe imensamente.
    abraço meu irmão!

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  2. Augusto, olha eu de novo. Agora para lhe oferecer o selo "Premio Blog de Ouro". Passa lá no Notas...Não é nenhuma corrente, sou avesso a elas, é por puro merecimento e qualidade do seu blog.
    Abraço,

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  3. Oi Augusto!
    As lendas e os mitos têm um fascínio espetacular. Eu não conhecida este mito com toda a profundidade aqui narrada mas achei muito interessante que a popularização do cristianismo verse exatamente o conteúdo. Jesus ter nascido de uma virgem. Muito enriquecedor os detalhes da história.
    Beijinhos de amizade
    Gracita

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  4. Hum, eu concordo que há mais semelhanças que diferenças nestes mitos tão reveladores dos deuses e dos homens.Creio que, ás vezes, sou mística demais, mas "eles" me fascinam.
    Estive lá, em Ìsis.Uma experiência inesquecível.

    Admiro e incentivo tua determinação em buscar teus objetivos e concretizá-los.
    Um abraço,
    Calu

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  5. Nem precisa ler pq esse tipo de texto com tudo bem explicadinho é meu xodó
    Parabéns pelo post divino
    Bjussss
    Rita!!!

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  6. Boa tarde Augusto! Quanto vale um grande amigo!! Tem um velho ditado popular: Vale mais que dinheiro na caixa!!!! Obrigada pela correção, a história ja estava pronta, lembrei daquele fato e troquei tudo!! Obrigada!!!
    Abraçosss

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  7. Augusto, linda narrativa, essa eu não conhecia mostrada assim.
    Sou bem chegada aos mitos e lendas, adoro mitologia grega, romana, tanto que "invento" poemas a respeito.
    É, talvez não seja mera coincidência.
    Amei, adoro ler seus escritos!
    Grande abraço!

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  8. Adoro mitologia mas ainda não tinha lido essa história, apesar de conhecer os personagens em questão, pois os encontramos nos livros quando estudamos história. Achei fascinante! Ali na tua observação sobre a esposa do faraó ser e parecer irmã (...) lembrei de algo que li em um livro, sobre um faraó da II dinastia que perguntou se havia uma lei que permitiria ao rei se casar com sua irmã. A resposta demonstra o grande poder que detinham os faraós:

    "Senhor - teria respondido o sacerdote -, não há nenhuma lei que o autorize; porém, há uma lei mais importante do que todas, que diz que o rei pode fazer o que quiser."

    No mais, muito bom o texto, gostei muito!

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  9. Essa versão eu não conhecia ....apesar de conhecer os personagens em questão. adorei a narrativa
    Gabrieli 09 1°B

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