domingo, 6 de janeiro de 2013

Idolatria

Mário carrega em sua carteira uma nota de dólar, diz que é para dar sorte e não faltar dinheiro. Marina, toda vez que viaja, leva um cristal. Pessoas usam crucifixos, escapulários e diversos tipos de relíquias para afastarem os males e outras veneram estátuas representativas de santos, demônios, divindades. Laura gastou o que tinha para ir até o mar dar os famosos pulinhos nas ondas e entregar um espelho à Iemanjá. Todos os alunos que viajaram a Porto Seguro, na Bahia, voltaram com fitas do Bonfim nos pulsos. Ana Paula nasceu e logo recebeu uma pulseira da sorte, com luas, figas, trevos, cristais, cruzes, espadas, moedas e outros trecos. Ouvi umas professoras falarem sobre as cores das calcinhas que deveriam usar no Ano Novo: vermelha para o amor, amarela para dinheiro, branca para a paz em casa, azul... e quando mencionaram as sementes de romã eu já estava caindo fora. D. Rosa jura que curou um câncer com um simples copo de água benta. Os exemplos são infinitos e ainda há o círculo (mandala), o capturador de sonhos, arruda, obelisco, pedra de rio, trevo de quatro folhas, pata de coelho, ferradura, velas e muitos outros. Estes são chamados de amuleto, talismã ou patuá. Já a caveira, osso, pena, cabelo, pedaço de tecido, de unha, foto, terra, espelho quebrado, relógio parado, pio de coruja, tesoura e outros trazem azar e podem ser usados para manifestações de maldade, de mau agouro. São chamados de mandinga, maldição, despacho, macumba, zica, trabalho etc.
O que faz com que as pessoas, isoladamente ou em grupos, adorem ou idolatrem objetos, figuras, gravuras, imagens e outros a ponto de considerá-los poderosos, encantados, endeusados, capazes de alterar o seu destino e o destino de outras? Qual o poder contido nestes objetos, que seduz e faz com que pessoas os adquiram e os usem sem correr o risco de serem taxadas de alienadas? Num mundo pleno de informação, de tecnologia, de ferramentas eletro-eletrônicas de ponta, de instrumentos precisos de medição, transmissão, comunicação, divulgação de ideias, de robôs com inteligência artificial etc., como elas ainda mantêm uma prática irracional e não condizente com os avanços científicos? Será que essas pessoas ainda transferem a esses objetos a responsabilidade por seus destinos, mesmo que, comprovadamente, eles não tenham algum poder? Será um dado cultural inofensivo apenas ou elas acreditam realmente que um objeto desses possa lhe trazer o conforto que não buscaram, a paz que não querem de fato, o trabalho que não conquistaram, o amor que não mereceram, o dinheiro que não ganharam, a harmonia que ajudaram a destruir? Será que elas se escondem atrás deles e a eles delegam a responsabilidade pelo fracasso e males que atingem essa espécie esquizofrênica?
Não há sorte ou azar, há sim consequências pelas escolhas que fazemos a todo o momento. Somos livres para escolher, temos o livre-arbítrio para isso. Se quisermos ter sucesso, é importante que façamos escolhas ponderadas, racionais, humanas e não nos alienemos, crendo que qualquer daqueles objetos possa nos dar tudo o que pensamos merecer. Evoluir é preciso!

17 comentários:

  1. Você diz que não é poeta.
    mas é prosador.
    o que é preciso é ir fazendo alguma coisa!
    Um forte abraço!

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  2. "Saber é preciso" e "...Evoluir é preciso."
    Concordo com tudo o que expôs aqui, mas aqui no Brasil e no mundo há as culturas que enraizaram nas mentes das pessoas, difícil acabar com essas crendices,uma ou outra todos nós temos, mas têm pessoas que acreditam em todas, imaginemos como é isso? Para acabar com isso há que se ter muita fé em si mesmo,isso sim é que é difícil não é mesmo?
    Mas é bem como dizes que o livre arbítrio nos faz escolher e sermos responsáveis pelas nossas escolhas, também penso como você!
    Quanto ao seu comentario lá no meu blog, deixei resposta agradecendo a interferencia e concordo contigo, acredito em sua sapiencia, pois és professor, podes escrever lá o que é certo, aceito com muito prazer!
    Abraços meu amigo!

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  3. Olá Augusto,

    Como vc disse, cada pessoa tem o livre arbítrio para acreditar no que a faz feliz, não vejo problema algum em acreditar em imagens ou amuletos, claro dentro dos limites!

    Mas na minha opinião, o pior idólatra, é aquele que acredita que só a sua igreja é que vai para o céu... isso é lastimável!

    Abçs

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  4. Olá Augusto! Vim retribuir o carinho da tua visita, obrigada por deixar um lindo comentário.
    Adorei sua postagem, com certeza todos temos o livre-arbítrio, no entanto não evoluimos o suficiente para fazermos as nossas escolhas, seguir em frente e não errarmos tanto.O bom disso tudo é que errando podemos aprender com os erros, não somos robos programados, somos seres incompletos, buscando aprender sempre.
    Abraços uma linda noite.
    FELIZ ANO NOVO!!!

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  5. Amigo, já li que a religião é o ópio do povo e parece que esse povo precisa de um deus ou amuleto para não se animalizar ou não perecer na depressão. É triste, mas é isso!...Vim retribuir sua visita e já respondi lá sua dúvida.Estava com saudades da sua visita!Bjs.

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  6. Com certeza existem muitas pessoas que se apegam a objetos, tinha um amigo que nos jogos de seu time usava a mesma camisa há mais de 6 meses sem lavar pq achava que aquilo ali traria sorte, eca que nojo rsrs, enfim eu acredito que transfiram sim sua sorte e destino como queira para esses objetos infelizmente e esquecem quem na realidade é o Senhor da nossa vida nosso Pai Celestial.

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  7. Bom dia, Augusto!

    Encontrei o seu blog, a partir de um comentário seu, no blog do Vieira Calado, português, como eu.
    Curiosisadade puxa curiosidade e cá estou eu.
    Já observei que tem dois blogs, tal com o eu tenho, "Luzes e Luares" e "Afetos e Cumplicidades"

    Bem, este seu texto, tem muito que se lhe diga.
    Somos, ambos, Professores, por sinal. Eu, graduada (acho que é este o termo, que usam, aí no Brasil, para formação superior) em História.

    A superstição, a adoração de ídolos, desde sempre, mesmo na Pré-História, ela já existia, mas com contornos mal definidos e pouco elaborados.
    Hoje, em plena, Idade Contemporânea, quando temos o mundo à distância de um clic, continuamos, na sua maioria, a dar "importância" a esses atos, a essa "adorações", mesmo sabendo que a Bíblia diz que não se deve fazer (óbvio, pra quem acreditar em Deus, Jeová ou Javé, e Jesus, Emanuel). Já nem vou mencionar os Muçulmanos, porque aí as coisas se passam de forma diferente.

    Temos livre arbítrio, pois temos, mas há quem seja comandado/a por gente empolgada, sem critério, que diz isso e aquilo, e deixe aqui o dízimo, não esqueça.

    Lhe falou uma mulher católica, que reconhece todos os erros da Igreja a que pertence, mas como só Deus conhece os corações, sou muituíssimo feliz.

    Tenha um dia feliz e harmonioso.

    Saudações.

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  8. Olá, gostaria de compartilhar o desejo de que outras pessoas possam visitar nossos blogs, por isso divulguei seu link no meu: www.professoravanucia.blogspot.com. Se quiser compartilhar, meu link está lá! Abraços! Excelente Postagem!

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  9. Olá Augusto
    Gostei muito deste post, acho que se percebemos temos algum tipo de crença, como lembro-me que quando minha filha trocava o dia pela noite, virava sua blusinha do avesso, porque minha avó dizia que ela voltaria a dormir a noite ou quando o chinelo esta virado para cima, não fico satisfeita até vira-lo de volta, nossa como estas coisas entram em nossa cabeça muito mais fácil do que acreditarmos em nós mesmos, tens totalmente razão em seu texto quando diz "Evoluir é preciso" e é preciso mesmo, educar nossos filhos de uma maneira diferente é o caminho para evolução futura.
    Um abraço.

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  10. Olá Meus amigos leitores! O texto produzido trata apenas da idolatria, que não deve ser confundida com religião, apesar de muitas delas possuírem práticas idólatras. Também não deve ser confundida com a alienação religiosa (há dois tipos e breve tratarei deles). Por fim, também não pode ser confundida com as crendices, que se baseiam numa prática e não na transferência de responsabilidade pelo destino, como na idolatria. Espero não tê-los confundido mais ainda. heheheh. Abraços a todos!

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  11. Olá Augusto.
    Quero aplaudir você pelo brilhante texto. As escolhas somos nós que fazemos, então cabe a cada um arcar com as responsabilidades resultantes delas. Conduzir nossos atos pela idolatria é realmente lamentável. Como você disse Evoluir é preciso.
    Parabéns amigo! Beijinhos
    Gracita

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  12. Tenho uma nota de um dolar, pra ter mais dindin, nunca faltou pq trabalho duro,mas notas e mais notas nunca rsrsr, mas acho que sou um pouco de crer nessas coisas viu, pode ser de ouvir as pessoas falarem tão bem que a gente acaba acreditando, tenho uma pedra verde na bolsa, e uma moeda que ganhei tbém..........Mas la no fundo a gente sabe que nada disso adianta se não crer em Deus, a fé que é nosso melhor amuleto
    Bjusss mu mano querido
    Rita!!!!

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  13. O homem precisa de algo para se apoiar, uma muleta. Onde a idolatria entra. Até no meio cristão encontramos crendices evangélicas. Na necessidade de crer uns exageram nesta fé.
    Gostei do seu blog, por isso já o sigo.

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  14. Sabe Augusto eu não acredito em amuletos da sorte, eu concordo com você que somos os responsáveis por tudo o que nos acontece, depende apenas de nossas escolhas.
    É muito fácil colocarmos a culpa de nossos fracassos sobre algo, porque assim nos sentimos melhor.
    Acho que devemos acreditar que Deus nos concede cada dia novo para podermos construir nossa história. E é isso que vai determinar o nossas vitórias ou nossos fracassos..
    Como sempre um excelente texto.
    Um beijo

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  15. Olá Augusto!

    Às vezes os amuletos ajudam a que as pessoas confiem mais em si próprias, desenvolvendo-lhes a auto-estima. Lembras-te daquela história do Dumbo, da Disney?
    Ele era um elefante com grandes orelhas e podia voar, só que ele não achava que tinha essa capacidade. Até que lhe deram uma pena e disseram-lhe que ela lhe daria esse poder. Após algum tempo, ele voou e acreditou que era devido à pena.
    Assim é também o que se passa connosco, se acreditar-mos que um objecto nos dá sorte, ele vai dar.

    Um beijo,

    Cris Henriques

    http://oqueomeucoracaodiz.blogspot.com

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  16. É difícil de intender idolatria, é uma coisa mais cultural depende do que a pessoa acredita, como no texto tem vários exemplos. E aquelas pessoas, ninguém vás elas mudarem de ideia e no que elas acredita. 2f n45

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  17. Tenho muitos amados irmãos católicos que são profundamente marianos em sua devoção e o amor que eles têm por mim é tão precioso para mim quanto o amor que tenho por eles, por isso desejo tão somente que prevaleça a palavra de Deus e que possam entender um pouco mais sobre a fé genuína que vem de Jesus Cristo.
    BARBARA 3°E N°07

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