domingo, 1 de julho de 2012

A banalização da violência.

Há muito tempo o homem domesticou vários animais e plantas, o que lhe permitiu a fixação nas regiões mais inóspitas do planeta. O boi, cão, galinha, carneiro, bode e cavalo foram dos primeiros animais e o trigo, cevada, arroz, centeio, uva, figo, batata e milho, das primeiras plantas. A estocagem de grãos e cereais, as reservas de proteína, advindas da carne, e a utilização da força de tração e de locomoção dos animais tornaram possíveis ao homem um tempo maior para se dedicar ao desenvolvimento das relações sociais, da tecnologia e da arte. Com o passar do tempo, os seres domesticados se tornaram tão imprescindíveis ao homem que é praticamente impossível viver sem eles. Os lapões não viveriam em plena neve se não fossem as renas, os beduínos não sobreviveriam no deserto sem o dromedário, os mongóis sem o boi iaqui, os incas sem a lhama. É obvio que o homem atual, com tantos afazeres dentro da sociedade, com tanta divisão no trabalho e na produção de bens, os vitais e os supérfluos, torna-se mais dependente da produção de alimentos e de derivados de plantas e animais, como as fibras, óleos, combustíveis renováveis, variadas proteínas e outros. Sendo assim, o que explica a agressividade gratuita que certos homens dispensam aos animais, de quem precisam tanto? Como justificar os maus tratos em nome da diversão de fanáticos? Na Creta antiga, esportistas divertiam a plateia saltando sobre touros, que depois era sacrificado e comido pelos mesmos. O mesmo ritual é ainda praticado no litoral de Santa Catarina. A arena do Coliseu se tingia de vermelho do sangue de animais e de homens que se enfrentavam até a morte, enquanto a plateia chegava ao delírio. Incontáveis animais foram retirados do seu habitat para serem mostrados nos circos, onde enfrentavam torturas alucinantes, minúsculas jaulas, garras extraídas e dentes serrados. Quase sempre, a polícia estoura locais para rinha de galos, de cães e até de canários. Nos rodeios do Brasil afora, bois e cavalos são submetidos à humilhação, enquanto o público se diverte com esse horror. Pimenta e vidro moído são introduzidos nos ânus desses animais, enquanto uma correia lhe aperta a barriga, colocando em risco seus órgãos internos. Em vários criadouros de aves, araras, papagaios, faisões, gaviões, emas, avestruzes e outros têm suas penas arrancadas para serem usadas nas fantasias de carnaval. Essa violência contra os animais não tem limites e muitos exemplos poderiam ainda ser citados e não se encontra explicação nos estudos da psicologia humana. E quem explicaria então a violência que se vê nas lutas entre duas pessoas adultas, transmitidas atualmente pela televisão? Essa mesma mídia que veicula imagens de estudantes se batendo nas escolas, de torcedores fanáticos se enfrentando e matando adversários de torcida. Adianta a criança e o jovem serem protegidos pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), se seus pais se extasiam assistindo a essas lutas violentas entre pessoas? O que leva duas pessoas a se baterem dessa forma? E o que se passa no inconsciente dos que assistem a essa barbaridade? Por trás desse prazer pode existir uma violência incontida e que se expõe ao torcer por um ou outro lutador? A violência banalizada está entrando na casa das pessoas com convite especial. Perdoem-me os aficionados, mas não posso me calar e não denunciar o horror que está se espalhando e contaminando as pessoas. Todos os leitores deste texto estão livres para opinar sobre o tema.

13 comentários:

  1. Oi Augusto,bom dia!
    Não sei que graça pode ter, presenciar torturas em animais ou então assistir brigas entre lutadores.
    Isso me enoja e eu nunca gostei.
    Mas o público dessa barbárie é grande e aumenta a cada dia...
    A mídia consegue dominar as pessoas que não sabem ou não conseguem discernir.Parece que se acostumaram com tais imagens sangrentas e perderam a sensibilidade.
    É a famosa 'injustificada glorificação da violência'.
    Ótimo texto para refletirmos.
    Bom domingo pra vc :)

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  2. Talvez esteja no nosso instinto não é mesmo. Por exemplo sou contra violência de qqr forma, jamais bateria em uma criança, em um idoso ou num animal indefeso que as vezes nos perturba sem noção. Mas se me visse acoada em uma situação de perigo por exemplo se alguém tentasse invadir minha casa, e no caso eu tivesse uma arma, passaria fogo no dito cujo sem dó. Se pegasse um pedófilo em flagrante o castraria no minimo, Qual a diferença então??
    No fundo creio que nosso lado animal esta contido, mas ao menor sinal de perigo desperta, talvez por isso gosto de ver lutas do UFC por exemplo.

    kkkk entendeu? Nem eu kk

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  3. Olá Augusto, como prometido, venho trazer convites especiais a todos os Educadores que seguem e/ou visitam este blog tão acolhedor e informativo:
    Hoje dia 01/07/2012 é o lançamento oficial do espaço http://www.educadoresmultiplicadores.com.br/.
    Venham conhecer!
    O convite está feito a todos. Tenho certeza que vocês irão gostar!
    Professor Augusto, conto com sua participação especial na estreia!

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  4. Olá a todos! Observem que a pretenção deste texto é chamar a atenção para a institucionalização da violência e não julgar e decretar problemas psicológicos em ninguém. É por isso que todos estão livres para opinar, defender suas posisões e incrementar o debate. Um grande abraço a todos os participantes.

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  5. Olá,

    Quanto aos animais, sou totalmente contra qualquer tipo de violência a esses seres adoráveis, que só nos fazem bem. Sao seres inocentes torturados sem defesa.

    Agora adoro as lutas do UFC, adoro mesmo e nao nego, nesse caso a escolha das lutas é de pessoas que tem entendimento, e que se defendem e opinam se querem ou nao estar lá, enfim neste caso impera o livre arbítrio.

    Esta é a minha opiniao...

    Abçs

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  6. Olá Augusto, fiquei super feliz com seu comentário no meu Blog> "AMIGOS QUE FICAM!"
    e, aproveitando já digo: Estou te seguindo e te convidando a seguir-me neste perfil há dois blogs> AMIGOS QUE FICAM e AMIGOS VIRTUAIS
    Com muito carinho te convido a seguir-me.
    Tenha uma abençoada Segunda Feira!
    Grande beijo
    Eu! Leilinha

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  7. Pois é meu amigo.
    Amigos virtuais são especiais pra mim, e como os são, já tive prova
    de carinho, respeito e apoio quando mais precisei, mesmo distante, pude receber abraços e palavras firmes cheias de ternura
    num momento que eu jamais esquecerei, por isto estou começando a homenagiar esses amigos que moram no meu coração.
    Continuo esperando voce aqui, viu?
    Cheiros
    Siga-me
    Eu! Leilinha

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  8. Eu sempre gostei de ver lutas de boxe, luta livre e agora menino to viciada nesse tipo de luta UFC, acho que é isso, concordo que estamos ficando insensíveis mesmo, ou estamos extravasando?
    Faço minha as palavras da Pati não bateria em ninguém, mas se entrarem na minha casa e eu puder me defender, acho que não seria uma vitima que ficaria sem fazer nada o que seria correto, alias para ser sincera não sei responder ao texto, concordo com vc em tudo. Acho que estamos como aquela frase de qual lobos estamos alimentando dentro da gente, talvez por ber tanta injustiça dentro de nós esteja voltando ao começo, ser primitivo e irracional, acho que é isso.

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  9. Além da maldade que eu acho um crime contra os animais, vemos tudo isso nos seres humanos, nossa meu coração dói de tristeza ao ver essa tragédia sobre homens e animais, muito mal tem sobre a terra, esse texto da pra ver quanto tempo faz que temos esse sofrimento.
    Bom estou tão chocada com essa violência que fiquei chorosa aqui
    Bjuss de bom dia de sexta feira
    Abraços
    Rita

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  10. O homem é o único animal que usa da violência para satisfazer seu ego ferido; e também o único que mata por pura covardia.

    abraço

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  11. Sabe Augusto, também vejo a agressividade como uma coisa do bicho homem, instintiva e natural. Porém, deve ser educada pois somos seres pensantes e o bom senso deve prevalescer. Para se defender o homem sempre será agressivo pois tratar-se-á de um mecanismo de defesa. Do resto, sempre será um ato violento e não defendo isso.Um grande abraço!

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  12. Professor Augusto, postastes aqui a verdade sobre o que vemos em questões de grandes violencias cometidas pelos seres humanos, (muitas vezes duvido que sejamos a imagem e semelhança de Deus?!), pois eu acredito em reencarnação, portanto digo "nós seres humanos", mas me excluo dos que se deliciam com quaisquer tipos de violencias, (nunca gostei de luta livre) antigamente se dizia assim, hoje é UFC, luta corporal ao ponto de saírem bem machucados, violencia banalizada ao estremo?!
    Não gosto, acho que é por eu ser do signo de peixes, vivo no mundo da Lua, mas com consciencia disso!!!
    Que pena, só posso dizer isso, que pena que é assim, toda essa violencia sem fim...!!!
    Abraços
    Ivone

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  13. Olá Augusto!

    Tudo bem?

    Gostei muito do teu texto. Muito reflexivo. Eu não gosto de touradas e nem largadas, que é algo que se usa muito aqui em Portugal. Numa largada usam um bezerro, ou uma bezerra e depois brincam com ela, arreliando-a a chamar por ela. Quando o animal se volta e investe contra os provocadores, as pessoas fogem. No entanto, não lhes fazem mal fisicamente.
    Nas touradas é diferente, como toda a gente sabe sofrem os touros e os cavalos também.
    Eu acho este tipo de espectáculo triste e bárbaro, também não gosto de circo. Fico de mau-humor quando por algum motivo não posso fugir disso e tenho de assistir.

    Parabéns!

    Obrigada pela visita, como foste o seguidor nº 93 deixo-te um presente, o meu selinho de comemoração...

    http://lh5.ggpht.com/-USSsRV7QAXE/UElAslY96ZI/AAAAAAAAA5Y/zAyu41xlUlk/s1600-h/Selo%252520100%252520Seguidores%252520OQMCD%25255B4%25255D.jpg

    Um beijinho,

    Cris Henriques

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