domingo, 6 de maio de 2012

Solidariedade às avessas

Quando ouvimos falar de solidariedade, nós a associamos à generosidade, ao ato de doar-se a alguém ou uma causa justa, desinteressadamente. É comum pessoas participarem de campanhas do agasalho, de brinquedos, de doação de sangue, de produtos de limpeza e higiene para asilos e creches, de sopas para desabrigados, de mutirão para construção de casas e outros. Essas ações fazem bem a quem se doa ou doa algo e fazem bem àquelas que recebem, pois são solidárias. Entretanto, essa palavra solidariedade pode ser enganosa. Os integrantes de uma quadrilha podem ser solidários entre si, ajudando-se e protegendo-se mutuamente através do silêncio. Isso também pode acontecer com os membros de uma corporação profissional, como a dos médicos: um encobre o erro do colega para impedir que a imagem da profissão ou da instituição (hospital) seja comprometida. É comum os alunos se negarem a denunciar ações de vandalismo de outros colegas, de subtração de objetos alheios, de desacato às autoridades, argumentando que não são dedos-duros. É a chamada ética de porta de cadeia. Na política brasileira, das mais corruptas do mundo, cansamos de ouvir denúncias sobre a formação de quadrilhas que desviam o dinheiro público de forma escancarada. É comum um político encobrir os atos inescrupulosos de outros, porque quando tiver chance fica evidente que comete os mesmos erros. Essas ações são alimentadas por uma justiça fraca, incapaz de alcançar e punir os criminosos, já que possuem imunidade parlamentar: a maior aberração de um país que se julga democrático. Alguns até se arvoram de paladinos da justiça para desviarem os olhares de seu foco e outros sentem medo de represálias, pois são ameaçados quando se colocam contrários àquelas ações. Porém, aqueles que se calam diante da violência, da injustiça, da corrupção, da miséria e de outras ações deploráveis são coniventes com elas. Nesses e em tantos outros casos sabidos e esquecidos, a solidariedade nada tem de ético, porque é negativa. São ações condenáveis, deploráveis, que nos enchem de vergonha e ocorrem em benefício de uma minoria, de um grupo que causa prejuízos. Se a quadrilha ou a corporação correr algum perigo, cada membro em particular será afetado, por isso "ajude os outros para salvar a si próprio”.

4 comentários:

  1. Concordo plenamente com o que disse mas muitos se calam por deverem ou até para obterem algum lucro o ser humano as vezes me da nojo.
    Professor fiquei feliz com seu comentário terei o maior prazer em ter um selo seu tem uma amiga minha a Pati do blogueiros que pensam que faz alguns de vez em quando quem sabe ela não te faz um, ela é gente boa só não sei se cobra, mas acho que não.

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  2. Eu não tenho mais nada a dizer, este texto já foi claro e preciso parabéns.

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  3. Olá Augusto :))

    Gostei do texto porque retrata a realidade,que esta em nossa sociedade,sem escrúpulos,que a solidariedade associamos a generosidade,mas infelizmente as pessoas confundem isso,com encobrir fatos que evidenciam culpa dessas determinadas pessoas,então é preciso sim ter solidariedade,mas primeiramente aprender o que é isso!!!

    Nome: Sabrina N:29 1 Ano B

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  4. A solidariedade tem que ser vista de uma maneira benéfica.Mas para isso,devemos entender o que realmente é ser solidário.Ter em mente que podemos fazer o bem tanto para si quanto ao próximo sem prejudicar ambos.Agir de maneira totalmente racional,que é a base essencial para fazer o que realmente é certo e o que vale a pena para ajudarmos uns aos outros.
    Larissa N°15 3°B

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