quarta-feira, 9 de maio de 2012

A lucidez de K. Marx

O erro dos filósofos alemães, principalmente os neo-hegelianos, apontado e criticado por Marx, reside no fato de eles deduzirem a realidade a partir de um recorte, não somente um recorte do real, mas também do próprio sistema da dialética hegeliana, na tentativa de superá-la. Como Marx identifica as funções das ideologias, argumenta que o que aqueles pensadores fazem é reforçar essas funções ideológicas, ao partirem de ideias abstratas para chegarem a lugar algum, pois a superação pretendida da dialética idealista só se faria se fosse levada em consideração, na sua totalidade, daí serem considerados apenas ideólogos e não filósofos. Essa crítica abre perspectivas para os autores (Marx e Engels) discutirem o modo de produção capitalista. Eles conservam o conceito de dialética como movimento interno de produção da realidade, determinando que seu motor é a contradição, também que ela se estabelece na luta de classes, em condições históricas e sociais reais, produzidas por homens reais. São esses homens reais, capazes de produzir sua condição de existência, na relação dialética com os bens que produzem, com o trabalho, na distribuição de funções dentro da sociedade e com a própria natureza, que transformam para seu benefício. É evidente que a realidade dialética entre os homens e a natureza está em permanente modificação. Todas as ações humanas numa dada região constituem uma história de ocupação, através dos processos empregados por eles. É nessa relação que os homens constroem a história da humanidade. Segundo Marilena Chauí, “e também história do modo como os homens interpretam todas essas relações, seja numa interpretação imaginária, como ideologia, seja numa interpretação real, pelo conhecimento da história que produziu ou produz tais relações”.
CHAUÍ, M. O que é ideologia. São Paulo: Brasiliense, 2008.
MARX, K.; ENGELS, F. A ideologia alemã. São Paulo: Hucitec, 1999.
__________. Trabalho alienado. Coleção Metodologia das Ciências Humanas. P. de Salles Oliveira (Org.). São Paulo: UNESP/Hucitec, 2001, pp. 152-3.

2 comentários:

  1. Augusto, é muito bom entrar no seu
    Blog e ler tantas coisas boas,e falar
    de K. Marx é gratificante
    Gosto de participar sempre do que é
    maravilhoso
    Tenha um bom domingo,curta em família
    pois é dia das mães bjusssss!!!

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  2. Esse texto é muito para mim, kk prefiro não opinar.

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