terça-feira, 24 de abril de 2012

Nietzsche e a moral

De acordo com Nietzsche, o pensamento ocidental, de tradição socrático-platônico-cristã, descompõe o homem na medida em que relega seu lado mais vital, o instintivo, a um plano inferior e o subjuga à razão e, depois, à fé. No tocante à tradição grega, a razão é priorizada porque é a partir dela que este homem pode adquirir sabedoria e ser feliz, por consequência. A verdade e o bem são conceitos localizados fora do homem, num mundo inteligível, de formas perfeitas, verdadeiro. Mas, com a prática das virtudes intelectuais, este homem pode contemplar a verdade da ciência e da filosofia. É a perfeição da felicidade humana. Porém, esse processo de decomposição e desvirtuamento do homem concreto, real, humano, sofreu as influências da religião cristã e esta, além priorizar a fé, em detrimento da razão, subordina ainda mais os impulsos vitais humanos, recolocando-os no plano terreno do mal, da carne, do pecado. O homem torna-se um ser decaído, pecador, corrompido pelos desejos mundanos e só pode ser salvo mediante os sacrifícios expiatórios do sofrimento e da dor. Assim, para esse homem, atingir o bem, que está fora dele e deste mundo, isto é, no céu, ele deve se submeter aos dogmas ascéticos, impostos pela teologia cristã. Ao criar toda uma moral em torno do quê e de como o homem deve ser e se portar, essa teologia retirou, segundo Nietzsche, sua capacidade de superação, por suspeitar dos seus instintos e crer que o perfeito é o divino, uma inteligência ausente e superior ao mundo humano, que criou o homem e este mundo. E, ainda, ao transformar essas crenças em dogmas, essa teologia impediu a crítica e a reconstrução dessas “verdades”. É nisso que reside a questão central da discussão moral em Nietzsche, pois para ele a moral deve ser entendida como uma criação humana, e que deve servir ao homem, podendo ser transformada conforme as necessidades da vida e nunca permanecer estática e estranha à realidade. Para saber mais, leia uma de suas obras: "Para além do bem e do mal", Ecce Homo" e "Assim falou Zaratustra". Divirta-se!

2 comentários:

  1. Já vi algumas coisas dele na nete mas livros mesmo não, ótima dica nesse contexto até concordo com sua linha re raciocínio a religião e suas doutrinas matam a alma em muitos casos é tanto peso em cima que poucos suportam a carga de tentar viver honestamente e acabam por fim nem crendo mais na existência de Deus.

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  2. Assim falou Zaratustra foi um dos primeiros livros que li me deixou um pouco confusa no começo depois entendi melhor. Ótimo texto apesar de não concordar com certos pensamentos de Nietzsche são dica excelentes.

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